{"id":429,"date":"2022-09-10T17:47:00","date_gmt":"2022-09-10T20:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/seminarioteologico.org.br\/site\/?p=429"},"modified":"2022-10-17T20:14:52","modified_gmt":"2022-10-17T23:14:52","slug":"frutificando-em-terreno-considerado-improprio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/seminarioteologico.org.br\/site\/index.php\/2022\/09\/10\/frutificando-em-terreno-considerado-improprio\/","title":{"rendered":"Frutificando em terreno considerado impr\u00f3prio"},"content":{"rendered":"\n<p>Analisando o texto de Marcos 5:1-20  onde narrada a hist\u00f3ria do endemoninhado gadareno. Vemos que ao atravessar o mar da Galil\u00e9ia, chegando \u00e0 cidade de Gadara (Marcos 5:1), vem ao encontro de Jesus um homem possesso de esp\u00edritos imundos (Marcos 5:2). Segundo o pr\u00f3prio texto b\u00edblico, tal homem \u201cvivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias algu\u00e9m podia prend\u00ea-lo; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilh\u00f5es e cadeias, as cadeias foram quebrados por ele e os grilh\u00f5es despeda\u00e7ados e ningu\u00e9m podia subjug\u00e1-lo\u201d (Marcos 5:3-4).  Ao defrontar-se com Jesus, Este lhe falou: \u201c(&#8230;) Esp\u00edrito imundo, sai desse homem!\u201d (Marcos 5:8b)   O endemoninhado retrucou: \u201c(&#8230;) Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Alt\u00edssimo? Conjuro-te por Deus que n\u00e3o me atormentes.\u201d (Marcos 5:7)  Jesus, em contrapartida, pergunta ao esp\u00edrito que fala: \u201c(&#8230;) Qual \u00e9 o teu nome?\u201d (Marcos 5:9a)  E o esp\u00edrito Lhe responde: \u201c(&#8230;) Legi\u00e3o \u00e9 o meu nome, porque somos muitos.\u201d (Marcos 5:9b)  Ent\u00e3o, ao serem ordenados que sa\u00edssem daquele homem, os esp\u00edritos Lhe rogaram \u201cencarecidamente que n\u00e3o os mandasse para fora do pa\u00eds.\u201d (Marcos 5:10). Mas, por que os dem\u00f4nios suplicaram a Jesus que n\u00e3o os mandasse para fora daquele pa\u00eds? Porque haviam se especializado em infernizar gadarenos, conhecendo sua antropologia, sua hist\u00f3ria, sua cultura. Os dem\u00f4nios, ent\u00e3o, pediram-Lhe que os deixasse entrar nos porcos que pastavam por ali. Jesus o permitiu. E, saindo do corpo daquele homem, os dem\u00f4nios dirigiram-se a uma manada de porcos, que, conforme a B\u00edblia, era constitu\u00edda de aproximadamente dois mil porcos (Marcos 5:13), os quais, infestados de esp\u00edritos malignos, precipitaram-se \u201cdespenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram.\u201d (Marcos 5:13).  Os porqueiros, ao verem o que acontecia, entram em p\u00e2nico. Uma \u201clei econ\u00f4mica\u201d que Jesus estabelece \u00e9 que a propriedade privada precisa ser respeitada at\u00e9 o ponto em que a sua manuten\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja destruindo a vida humana. Quando se chega a tal ponto, a propriedade privada tem de ser usada para salvar vidas.  Os porcos se precipitam no mar, morrendo afogados. Os porqueiros ficam apavorados, porque do ponto de vista econ\u00f4mico, eles sofreram uma grande perda. Indo ao encontro de Jesus, os porqueiros \u201cviram o endemoninhado, o que tivera a legi\u00e3o, assentado, vestido, em perfeito ju\u00edzo; e temeram.\u201d (Marcos 5:15).  E, vendo isso, pedem a Jesus que Se retire daquela cidade (Marcos 5:17), porque eles n\u00e3o conseguiam viver com a lucidez.  O que \u00e9 que se pode aprender com essa hist\u00f3ria?  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1) Para frutificar tem que conhecer a hist\u00f3ria e a cultura de um lugar<\/strong>  <\/p>\n\n\n\n<p>Embora sendo a hist\u00f3ria de um homem, ela \u00e9 mais do que isso: ela \u00e9 a hist\u00f3ria de uma cultura, de uma sociedade de uma terra.  Gadara foi uma pequena cidade localizada na Trans-jord\u00e2nia, estando uns 10 quil\u00f4metros do lago de Genesar\u00e9. Pertencia ao territ\u00f3rio da Dec\u00e1polis. Nesta regi\u00e3o existiam fontes de \u00e1guas termais, existentes na cidade. Nesta regi\u00e3o ao norte do lago de Genesar\u00e9 no tempo de Jesus, era habitada por pag\u00e3os, fixados ap\u00f3s a deporta\u00e7\u00e3o de Israel para a Ass\u00edria.   A primeira \u00e9 que as dez cidades &#8211; Dec\u00e1polis dentre as quais Gadara (ou Gerasa) &#8211; haviam sido fundadas por Alexandre, o Grande, da\u00ed sua origem grega (Dec\u00e1polis), as quais foram ampliadas pelos seus sucessores, ficando no meio dos reinos que sucederam o reino de Alexandre (acerca dos quais j\u00e1 se falou no cap\u00edtulo anterior), ou seja, ao norte a S\u00edria, onde ficava o reino dos Sel\u00eaucidas, e o outro ao Sul, no Egito, onde era o reino dos Ptolomeus.  Dec\u00e1polis ficava entre esses dois reinos, portanto, Gadara tamb\u00e9m. Da\u00ed, quando houve desentendimento entre os sel\u00eaucidas e os ptolomeus, Gadara tamb\u00e9m se tornou campo de batalha. Ora esta cidade ficava sob o dom\u00ednio dos sel\u00eaucidas, ora sob o dom\u00ednio dos ptolomeus. E, depois de estar alternadamente sob o jugo sel\u00eaucida e sob o jugo ptolomaico, ocorre a Revolta dos Macabeus, ficando agora Gadara sob o jugo judaico.   Depois desse per\u00edodo de dom\u00ednio judaico, apoderam-se de Dec\u00e1polis os romanos, que imp\u00f5em sua l\u00edngua, seu regime de governo, suas manifesta\u00e7\u00f5es religiosas, suas leis, enfim, uma nova cultura. Nesse per\u00edodo de dom\u00ednio romano, d\u00e1-se uma nova revolta dos judeus, a qual \u00e9 sufocada, e o governo daquelas dez cidades \u00e9 dado a Herodes, que come\u00e7a a fazer obras \u201cfara\u00f4nicas\u201d em todas elas. Depois desse per\u00edodo de governo de Herodes, o pr\u00f3prio C\u00e9sar, o Augusto, toma o poder.  O Novo Testamento alterna o nome da cidade do \u201cgadareno\u201d, ora chamando-a de Gadara, ora chamando-a de Gerasa. Mas \u00e9 esta \u00faltima que nos ajuda a entender a mensagem do texto em quest\u00e3o. Trata-se de uma curiosidade interessante sobre o nome Gerasa. Ele vem do hebraico \u201cGers\u201d, que significa expulsar, tirar de dentro, expelir. Isso reflete toda a conturbada hist\u00f3ria s\u00f3cio-pol\u00edtica n\u00e3o s\u00f3 daquela cidade, como tamb\u00e9m das outras nove.  Porque com todo \u201centra-e-sai\u201d das for\u00e7as que disputavam o poder naquela regi\u00e3o, criou-se uma cultura de possess\u00e3o. Portanto, a cidade de Gerasa (ou Gadara) tem um nome que desenvolve e denuncia tal estado de coisas, qual seja, o de possess\u00e3o. Era uma sociedade que \u201cse acostumara\u201d \u00e0 invas\u00e3o, \u00e0 possess\u00e3o. Na cidade de Gerasa &#8211; que tem uma cultura que assimilou e que absorveu a ideia da possess\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social &#8211; o diabo usa esse estado de coisas. Com isso se aprende que os fen\u00f4menos s\u00f3cio-pol\u00edtico-econ\u00f4micos n\u00e3o s\u00e3o estanques, mas que podem ser manipulados por for\u00e7as espirituais para esmagarem seres humanos, espiritualmente.  Mas Para frutificar n\u00e3o basta apenas conhecer a hist\u00f3ria e a cultura de um lugar.<\/p>\n\n\n\n<p> <strong>2) Para frutificar tem que compreender o que adoece a nossa sociedade para extirpar o mal <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>JAMES I. PACKER em seu livro O Conhecimento de Deus declara que \u201ca mentalidade crist\u00e3 adaptou-se ao esp\u00edrito moderno, ou seja, o que gera grandes id\u00e9ias humanas e deixa espa\u00e7o apenas para pequenos pensamentos sobre Deus\u201d.  A hist\u00f3ria do gadarenos ajuda-nos a compreender que havia naquela cidade uma cultura doentia de possess\u00e3o. Porque as sociedades, quando adoecidas, \u201cabrem as portas\u201d para o mal entrar nelas, e agir nas mentes humanas e ditar os seus comportamentos.  Observe-se que h\u00e1 uma cultura entre a cidade e a possess\u00e3o, uma vez que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o estranha e doentia entre a cidade de Gadara e seu possesso \u201cde estima\u00e7\u00e3o\u201d. Como se sabe disso? A B\u00edblia nos diz que ele vivia nos sepulcros (Marcos 5:3), mas n\u00e3o morria de fome. Por qu\u00ea? Porque aparecia sempre um pratinho de comida, um peda\u00e7o de p\u00e3o, uma garrafa d\u2019\u00e1gua ou de vinho ao lado da sepultura toda manh\u00e3. A sociedade dos gadarenos mantinha o possesso, a \u201cbesta\u201d.   A cidade fazia cadeias para serem quebradas, porque a B\u00edblia diz que grilh\u00f5es e cadeias eram postos nele, os quais eram quebrados (Marcos 5:4). Mas at\u00e9 a possess\u00e3o demon\u00edaca tem limites, que \u00e9 o limite f\u00edsico da resist\u00eancia do osso de um possesso. O possesso fica com uma for\u00e7a sobre-humana, enquanto o osso aguenta. Por exemplo, uma menina possessa, \u00e0s vezes, consegue jogar ao ch\u00e3o dez ou quinze homens; mas n\u00e3o joga cinquenta.  Mesmo o poder diab\u00f3lico agindo no corpo humano, tem um limite, que \u00e9 o limite do corpo. No entanto, para o endemoninhado gadareno eram feitas correntes para serem quebradas por ele. De alguma forma h\u00e1 uma m\u00f3rbida situa\u00e7\u00e3o de contentamento em se ver o possesso quebrar as correntes. Os moradores daquela cidade n\u00e3o conseguiam quebrar as correntes s\u00f3cio-pol\u00edtico-econ\u00f4micas dos povos que os invadiram, mas h\u00e1 um dentre eles que consegue quebrar todo tipo de corrente, num \u201cespet\u00e1culo de liberdade\u201d.  A cidade tem uma rela\u00e7\u00e3o doentia com o possesso, porque ela o quer possesso. No momento em que Jesus \u201cdespossessa\u201d o possesso, seus moradores ficam aborrecidos, porque Jesus acabou com o seu \u201cespet\u00e1culo\u201d.  Aprende-se com isso que, de algum modo, as sociedades precisam de seus possessos, de seus loucos, de seus doentes. As sociedades n\u00e3o podem sofrer a sua pr\u00f3pria viol\u00eancia, a sua pr\u00f3pria impot\u00eancia, a sua pr\u00f3pria frustra\u00e7\u00e3o sem uma v\u00e1lvula de escape. Torna-se imprescind\u00edvel que haja o gadareno, e muitos \u201cloucos\u201d para que outros possam se achar normais.  N\u00e3o se pode viver sempre com \u00f3dios revolucion\u00e1rios. Por isso tem que se vazar toda a frustra\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica, cultural, emocional e sexual de todo tipo num ser que carrega em si toda a nossa mis\u00e9ria e amargura.  Basta ouvir as m\u00fasicas que tocam em nossas r\u00e1dios que entenderemos o que impera no Brasil.   Por qu\u00ea? Porque quando se fala de alguns artistas, fala-se de tantos outros que est\u00e3o vazando loucura. Nas suas m\u00fasicas, nas suas produ\u00e7\u00f5es televisivas, onde se diz um monte de esquisitices, mas que muita gente gosta. E um dado interessante sobre eles, \u00e9 que s\u00e3o \u201cgadarenos culturais\u201d do Brasil: quando est\u00e3o vivos, as pessoas lhes d\u00e3o \u201cpratinho\u201d, \u201ccorrente\u201d para eles quebrar, etc. At\u00e9 que alguns morrem e transformam-se em \u00eddolos.  Pepeu Gomes: \u201cSer um homem feminino, n\u00e3o fere o meu lado masculino se deus \u00e9 menina e menino, sou masculino e feminino.\u201d  Ludimilla: \u201cEu fiz um p\u00e9 l\u00e1 no meu quintal, T\u00f4 vendendo a grama da verdinha a um real\u201d.  As apresenta\u00e7\u00f5es desses artistas \u00e9 quase um fen\u00f4meno religioso. Por qu\u00ea? Muitas pessoas da nossa sociedade, d\u00e3o o \u201cpratinho\u201d, sustentando-os. Ainda que n\u00e3o haja muita identifica\u00e7\u00e3o entre eles e a sociedade que os mant\u00e9m, \u00e9 importante a sua exist\u00eancia.  Quando um deles morre, n\u00e3o havendo mais a possibilidade de projetar nele tudo o que ela queria, a sociedade come\u00e7a a cultuar a sua mem\u00f3ria, para mant\u00ea-lo vivo, porque ele precisa estar vivo, com toda a sua loucura, a fim de que a sociedade possa se sentir um pouco mais s\u00e3.  A hist\u00f3ria do gadareno tamb\u00e9m nos ajuda a discernir a rela\u00e7\u00e3o entre a dimens\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica e suas consequ\u00eancias espirituais sobre a vida dos indiv\u00edduos. As situa\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-pol\u00edticas t\u00eam suas consequ\u00eancias e implica\u00e7\u00f5es na vida espiritual das pessoas.  Observe-se que todo drama s\u00f3cio-pol\u00edtico-cultural de toda a cidade de Gadara afeta a vida do indiv\u00edduo. Talvez aquele endemoninhado tivesse nascido uma pessoa sensibil\u00edssima; podia ser o maior poeta, ou o maior m\u00fasico daquela cidade. Geralmente, o diabo esmaga as pessoas mais sens\u00edveis. Raramente se v\u00ea um indiv\u00edduo bruto, possesso. Quase sempre \u00e9 uma alma sens\u00edvel que cai nas m\u00e3os do diabo. Ele v\u00ea aquilo que as vezes n\u00e3o vemos; sente o que ningu\u00e9m sente.  Desde pequeno, algo estranho come\u00e7a a nascer dentro dele. Sentimento de frustra\u00e7\u00e3o e de amargura v\u00e3o brotando no seu interior, fragilizando-o. At\u00e9 que o diabo usa essa fragilidade individual da personalidade, das emo\u00e7\u00f5es, da autoimagem, entrando dentro dele, destruindo sua vida.  Mas Para frutificar n\u00e3o basta apenas conhecer a hist\u00f3ria e a cultura de um lugar, compreender o que adoece a nossa sociedade para extirpar o mal.  <\/p>\n\n\n\n<p><strong>3) Para frutificar tem que ser liberto por Jesus e fazer a Sua vontade <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><div><div>Billy Graham em seu livro Como Nascer de novo enfatiza que \u201cFoi Deus quem nos criou e somente Deus pode recriar-nos. Somente Deus pode dar-nos novo nascimento que desejamos e de que precisamos t\u00e3o desesperadamente\u201d.    O cen\u00e1rio daquela cidade era este que a b\u00edblia e a hist\u00f3ria nos aponta, at\u00e9 o dia em que Jesus chega e diz: \u201c- Sai dele, esp\u00edrito imundo!\u201d Libertando-o do diabo e dos dem\u00f4nios que estavam dentro dele, Jesus o desoprime de toda carga maligna que estava sobre ele.  N\u00e3o adianta dizer que se vive com Deus e com Jesus &#8211; aqui no Brasil &#8211; e dizer que n\u00e3o se d\u00e1 a m\u00ednima import\u00e2ncia aos acontecimentos sociais, culturais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos, porque se \u00e9 de outra esfera. N\u00e3o adianta dizer isso. Agindo assim, algumas pessoas tentam negar que vivem no Brasil com todas suas controvertidas faces.  Uma vez, um empres\u00e1rio disse: \u201c- Eu nem quero saber mais! N\u00e3o quero saber de coisa alguma. Eu n\u00e3o estou nem a\u00ed para o Brasil. Eu estou vivendo bem, sem consequ\u00eancia da alguma da crise.\u201d Essa conversa foi algum tempo atr\u00e1s. Outro dia, conversando com o mesmo empres\u00e1rio, ele j\u00e1 n\u00e3o se sentia o mesmo. Por qu\u00ea? Porque nenhum de n\u00f3s que vive no planeta Terra consegue se desvincular das realidades pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas, vivendo como se elas n\u00e3o trouxessem nenhuma inger\u00eancia espiritual \u00e0 vida.   Porque, conquanto sejam de natureza s\u00f3cio-pol\u00edtico-econ\u00f4mica, o diabo usa a conjuntura, as circunst\u00e2ncias do momento hist\u00f3rico e a espiritualidade que tais for\u00e7as em conjunto geram para influir na mente e na alma das pessoas, deprimindo-as, desgra\u00e7ando-as, oprimindo-as, desvalorizando-as em sua autoimagem, \u201cgadarenizando-as\u201d enfim.  O gadareno foi tamb\u00e9m vitimado pela dimens\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica nas seguintes \u00e1reas: ele se feria com pedras por uma sociedade que se odiava por n\u00e3o poder ser livre. Ele quebrava as cadeias de um povo que ansiava por liberta\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o sabia como t\u00ea-la. Ele era a express\u00e3o mais livre e organizada e uma sociedade oprimida e desorganizada. Por isso quando Jesus lhe pergunta o nome, os dem\u00f4nios que o possuem verbalizam um outro anseio: legi\u00e3o, a qual era a forma mais organizada de coletividade naqueles dias, que era a legi\u00e3o romana. Ele \u00e9 o \u00fanico que denuncia o opressor: os romanos, que estavam no pa\u00eds, mais que eram indesejados ali, mas para os quais ningu\u00e9m tinha coragem de dizer isso. S\u00f3 aquele homem, lan\u00e7ando m\u00e3o do \u201cpr\u00e9-requisito\u201d de ser possesso, pode falar o que quiser, porque o doido pode falar o que quiser.  O gadareno endemoninhado denuncia como o opressor? Quando interrogado por Jesus acerca de seu nome, ele responde: \u201c- Legi\u00e3o, porque somos muitos.\u201d Ele, com isso, est\u00e1 explicitando dois desejos: o do diabo, ao querer continuar destruindo aquela vida, e o dos romanos, de continuarem ali, exercendo o poder naquela regi\u00e3o.   O diabo e Roma tinham os mesmos objetivos: oprimir e destruir a vida humana. Assim, descobrimos que doen\u00e7as \u201cpsicodemon\u00edacas\u201d tamb\u00e9m podem ser produzidas &#8211; pelo menos agravadas &#8211; por conflitos de classe, por explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica, por conflitos entre tradi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o quebradas, por revolu\u00e7\u00f5es, por viol\u00eancia urbana, por impot\u00eancia humana, por abusos, por culpa, por revolta, por \u00f3dio, pela frustra\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica, e pela corrup\u00e7\u00e3o e pela injusti\u00e7a institucionalizadas. Se vemos tudo isso acontecer no Brasil, tais coisas n\u00e3o acontecem apenas nos n\u00edveis em que os soci\u00f3logos, psic\u00f3logos, psiquiatras, cientistas sociais e pol\u00edticos, e tantos outros especialistas dizem estar acontecendo; mas elas criam cunhas, que lascam, abrindo passagens para dentro da espiritualidade geral do pa\u00eds, oportunizando ao diabo, por tais vias, embrenhar-se por elas, a fim de arruinar a alma das pessoas.    <\/div><\/div><\/p>\n\n\n\n<p><div><div><strong>Conclus\u00e3o: <\/strong> <\/div><\/div><\/p>\n\n\n\n<p>Para frutificar tem que conhecer a hist\u00f3ria e a cultura de um lugar. Para frutificar tem que compreender o que adoece a nossa sociedade para extirpar o mal. Para frutificar tem que ser liberto por Jesus e fazer a Sua vontade  Mas como fazer?  A primeira \u00e9 submiss\u00e3o \u00e0 Palavra. Volte-se para a Palavra, como Jesus o fez: \u201cEst\u00e1 escrito\u201d. Livros evang\u00e9licos s\u00e3o \u00f3timos, mas nossa fonte de orienta\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o \u00e9 a B\u00edblia, a Palavra de Deus. Se tiver que escolher entre algum livro, fique, sempre, com a Palavra do Senhor.  A segunda coisa para enfrentar essas potestades no n\u00edvel individual \u00e9 praticar o bom senso, n\u00e3o se \u201cestupidificando\u201d, n\u00e3o pulando do pin\u00e1culo do templo. Jesus disse: \u201cN\u00e3o tentar\u00e1s o Senhor teu Deus\u201d.  A terceira \u00e9 resistir ao diabo. Jesus disse: \u201cRetira-te, S\u00e1tan\u00e1s\u201d. \u00c9 necess\u00e1rio falar, repreendendo o dem\u00f4nio, uma vez que isto \u00e9 feito no nome de Jesus.  Se fizermos essas tr\u00eas coisas &#8211; submiss\u00e3o \u00e0 Palavra, pr\u00e1tica do bom senso e resist\u00eancia ao diabo &#8211; ele, o diabo, fugir\u00e1 de n\u00f3s, conforme nos diz a Palavra de Deus: \u201c(&#8230;) mas resist\u00ed ao diabo, e ele fugir\u00e1 de v\u00f3s.\u201d &#8211; (Tiago 4:7b) e daremos bons frutos.  Que Deus possa sempre nos aben\u00e7oar  <\/p>\n\n\n\n<p><strong>(*) Marcos Vinicio Dias Ribeiro<\/strong> \u00e9 Cientista Social, &nbsp;Bacharel em Teologia, &nbsp;Bacharel em Direito,&nbsp;Psicanalista&nbsp;pela SPOB, P\u00f3s-graduado em Doc\u00eancia Superior e Mestrando em Teologia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Analisando o texto de Marcos 5:1-20 onde narrada a hist\u00f3ria do endemoninhado gadareno. Vemos que ao atravessar o mar da Galil\u00e9ia, chegando \u00e0 cidade de Gadara (Marcos 5:1), vem ao encontro de Jesus um homem possesso de esp\u00edritos imundos (Marcos 5:2). 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